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Lucas Radaelli e seu Cão Guia

Entrevista Lucas Radaelli

Batemos um papo com o Lucas Radaelli, que possui deficiência visual e é extremamente ativo em redes sociais e nos contou como é utilizar computadores e smartphones sem o estímulo visual.

Qual fator levou a sua deficiência visual?
- Tive uma doença genética chamada síndrome de norrie, que leva uma má
formação da retina. Então, minha retina foi mal formada. Cheguei a
enxergar um pouco mas logo com 4 anos de idade houve o deslocamento.

Memórias visuais como cores e formas são presentes em sua memória?
- Tenho lembrança de formas, mas de nenhuma cor…

Seus sentidos sensoriais, como tato ou audição, são mais aguçados
quando comparados com pessoas que não possuem deficiência visual?

- Acho que não. Essa é uma concepção que muita gente tem errada
sobre os deficientes. Eles não são melhores, no entanto, eu presto
mais atenção neles. Isso faz que eu tire mais informações através
desses sentidos que uma pessoa normal, mas em questão de capacidade,
imagino ser a mesma coisa.

Como foi a aplicação para um cão guia?
- Um pouco complicada. No Brasil não existem centros de treinamento,
então é preciso se inscrever em uma escola estrangeira e torcer que
abra uma vaga para um estrangeiro. Tive sorte e foi isso que
aconteceu. Me inscrevi em umas 3 ou 4 escolas até dar certo.

Você já encontrou dificuldade para entrar com o cão guia em algum local?
- Já. Acontece com uma certa frequência, mas explicando que ele é um
cão guia, normalmente isso se resolve rapidamente. Isso acontece
porque as pessoas não estão acostumadas a ver um cão guia. Casos
graves só tive dois, onde mesmo depois de explicar, o gerente do
restaurante não queria deixar eu entrar…. nesses casos é preciso
apelar para a existência da lei.

Quais mudanças para acessibilidade poderiam ser feitas de modo a
aumentar a acessibilidade para deficientes visuais?

- Essa pergunta é um pouco ampla. Depende do lugar. Nas cidades, eu
acho muito importante a existência do piso tátil e os semáforos
sonoros, coisa que vemos pouco no brasil infelizmente.. No mundo da
computação, acredito que os desenvolvedores se preocuparem com a
acessibilidade em seus apps, programas e websites é muito importante,
e eu até diria, vital. São essas plataformas que permitem as pessoas
com deficiência terem uma independência gigantesca.

Como foi cursar ciência da computação?
- Foi uma das melhores coisas que eu já fiz. Embora tenha sido
complicado várias vezes, por nem sempre ter os materiais que eu
precisava em formato acessível, acho que foi algo muito útil que eu
poderei aplicar em uma série de coisas diferentes. Com ela, é possível
resolver vários problemas que eu tenho e ajudar outras pessoas com
deficiência. É possível ganhar dinheiro, o que é sempre bom também.
Mas mais importante, eu realmente acredito que a computação é o que
muda o mundo nos dias de hoje.

Como você utiliza computador, celular ou tablets?
- Uso um leitor de telas, que é um programa que lê as informações que
estão na tela do computador ou do smartphone. Através de comandos, o
programa verbaliza as informações necessárias e interajo assim com
os aparelhos. Tenho um canal no youtube, chamado ponto de vista, onde
mostro isso na prática como funciona.

Você acredita que atualmente ainda exista preconceito com deficientes visuais?
- Sim. Mas o maior problema que temos hoje em dia é a desinformação.
Infelizmente nem todos sabem que é necessário desenvolver programas
acessíveis, de modo que todos sejam capazes de usá-lo. Isso prejudica
muito a mim e a outras pessoas. Acho que divulgando a necessidade
desse tipo de coisa é o caminho para melhorar cada vez mais a nossa
situação.

Caso queira seguir o Lucas nas redes sociais:
Twitter: https://twitter.com/lucasradaelli
Canal Ponto de Vista:https://www.youtube.com/user/pontodevistachannel

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